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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Heróis

Clarisse sentia que nasceu não sei pra que, nem ela sabia, mas sentia desde pequena que sua vida tinha uma intensão maior que qualquer coisa. Não sabia muito bem o que faria da vida. Simplesmente sabia que todo o decorrer dela era um ensaio pro proposito maior do mundo, destino, Deus. Não se importava com quem a incumbira dessa missão secreta, sabia que era algo grande, importante."Eu nasci pra mudar o mundo!", dizia ela quando perguntavam o que ela queria ser quando crescesse; " quem disse que preciso crescer pra ser alguma coisa?! Posso ser o que eu quiser hoje." ou pelo menos era essa a certeza.
Insistente em sua ideia, prestava atenção no mundo, assistia os telejornais noturnos, na esperança de que ouvisse um chamado divino enquanto ouvia a noticia, ou então aquele filme de ficção cientifica, onde o super-herói descobre tarde seus poderes mágicos.
- Já tenho 11 anos, e ainda não se manifestou poder maior. Talvez eu não seja uma super heroína, ou meus poderes já se manifestaram e não percebi... Há algo de novo em mim?!
Durante meses pesquisou em diversos lugares, atividades fora do normal, alguma coisa que pudesse ter ligação dela com outro planeta, talvez. Achou informações desordenadas, mas sem ligação com constelações indecifradas.
- Oh! Uma mulher deu a luz a quadrigémeos um dia depois deu ter tropeçado naquela pedra! Não... isso foi mês passado, e essa noticia é de três anos. Na cidade tem uma mulher de 100 anos... Não sei como alguém pode viver tanto, quantas coisas ela deve ter visto. Viver um século deve ser cansativo.
Nada entre o que ela havia encontrado, a ligava à um sentido maior, Clarisse não se decepcionou, sabia muito bem que sua vida tinha um proposito maior que qualquer vontade, ou desistência.
A cada ano que passava, Clarisse sentia que sua vida tinha um proposito ainda mais importante, a demora nunca a fez desistir da ideia de que mudaria o mundo, e independente da vontade de Clarisse, sabia que ainda haviam muitos anos a se esperar. Séculos talvez.

Erro?

Por horas se pensa como descrever uma coisa, muitas delas já são descritas, nesse caso não é necessário pensar, apenas se fala! Foi o que elas disseram, quando olharam e sussurraram :

- Eu amo...

Nisso eu que me assustei, recorri a minhas estruturas, imaginei como sempre imagino, desencadeei uma seção de desagrado. Em meus registros isso era impossível, pois se uma definição se procura e se encontra, no que consta em minha biblioteca, necessita-se de anos para constatar tal coisa.
Tal façanha seria impossível, mesmo ao mais romântico dos seres viventes, não existe amor sem definição, não se defini o que ela sente por amor, ao menos não em minha percepção, mais por indignação do que curiosidade, perguntei o que era o "amor?". Não puderam me responder, e o mais engraçado foi como disseram que não podiam " amor não se define, apenas sente...", eu perguntei a ela, a outra, a varias pessoas, "... como se sabe sentir o que não se tem definição? Como se diz sentir, se não sabe o que é?". Perguntas as quais existem varias respostas, e sim, já me certifiquei da maioria, dessas muitas duas perguntas surgiram. Duas opções na verdade, e assas sim mesmo com definição é difícil escolher.
- Sera que minha definição é falha, e não sei o que de fato é amor, ou o mundo esta errado?
Talvez eu só sinta inveja, pra elas tudo é tão facil.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

As influencias.

Durante uma vida não se deixou abater, quando pequena gostava de desenhar paisagens, desenhava até que bem, mas nunca se interessou realmente então se cansou.
Lia os livros mais interessantes que achava na estante do pai, o que era raro e quando acontecia lia de três a duas vezes a mesma pagina, ao olhar pra ela lendo, até se via algum problema. Mas só ela sabia que lia e relia, apenas pra prolongar o livro, e nesse tempo de espera aproveitava para intende-lo melhor. Até que intendia, derrubava sozinha as possíveis indagações que fazia em silencio e em silencio aprendia, aprendeu que terra é terra, que água é água, e que o vinagre não se mistura com o azeite, o tipo de coisa que todo mundo deve sabe, se não, não sabe de nada. Ela sabia mais do que devia, tanto que imaginava mais do que o normal, e consequentemente sofria. Quando se intende o que não deve intender, a confusão é apenas consequência, as aparências ficam evidentemente óbvias e irritadiças, as pessoas revelam a hostilidade que só deveria ser percebida com mais tempo e ao contrario do que dizem, é o conhecimento que assusta. Ao pensar melhor vê-se que se você não intende não teme pois é essa ignorância que as vezes te mantém corajoso. O que se aprende mais cedo, alem de formar covardes desfigura a criança que esses tais desejarão ser depois de velhos e se fazem patetas. Estes mesmos que escrevem livros tão apaixonantes, que as vezes desejamos ter nascido antes.
Quando ela percebeu que se encaixava nesse termo, tentou viver como vivem garotas novas, sem saber que estava antecipando um sentimento antigo.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A janela!

Em um dia que estava mais escuro do que o normal, Hellena pegou uma folha de papel e foi-se a escrever, era praticamente impossível saber o que ela estava escrevendo.
A expressão de seus olhos e boca eram as mesmas, como se uma completasse a outra. Parecia aquela mesma Hellena de todos os dias, mesmas roupas, mesmos sapatos, hábitos e olhares.
Olhava pela janela a cada linha que escrevia, amassava uma folha a cada duas linhas, pegava outra, escrevia mais duas e amassava como as outras mil falhas que já estavam no lixo.
Sua mãe chegou em casa cansada, ligou a musica predilecta no quarto, passou na frente do quarto de Hellena, viu que ela estava escrevendo com a mesma dedicação de sempre e resolveu não atrapalhar. Entrou debaixo do chuveiro pretendendo não sair de lá tão cedo.
E Hellena com o olhar de sempre, não só o olhar, mas também o mesmo, o bâtom vermelho que havia pegado escondido de mãe umas duas semanas atrás, esta já tinha o costume de ver a filha usando. Hellena pensava enquanto escrevia, já escreveu muitas coisas em sua curta vida, Hellena sempre dizia que escreveu mais do que viveu, e muito provavelmente estava certa no que disse, tinha mais cadernos escritos de seu punho do que anos de vida, e se orgulhava muito disso!
A mãe de Hellena também escrevia cadernos quando tinha a sua idade, mas não tantos quanto Hellena havia escrito "...e quando começava não parava mais..." sempre dizia a mãe de Hellena quando conversavam. Depois que de se casar ainda escrevia algumas coisas, mas com a correria do trabalho e com a morte do marido, deixou de escrever definitivamente.
Naquele dia a mãe de Hellena tomou um banho demorado, Hellena tentou esperar um pouco até que a mãe saísse, mas não podia, achava que já estava atrasada, deixou o bilhete que gostaria de entregar pessoalmente encima da cómoda onde escrevia e fez o que ia fazer.
A sua mãe saiu exatos cinco minutos depois de Hellena a esperar na porta do banheiro, falou sozinha por uns dois minutos até que percebeu que estava sozinha em casa, chamou por Hellena sem resposta, entrou no quarto e viu o bilhete que dizia.

" Esse é o melhor que posso fazer por mim ... "

Seguido de um desenho alegre de uma menina feliz, isso tranquilizaria a mãe se não fosse a marca molhada encima do papel, logo em seguida se tomou de um desespero cortante, e do medo do pior, assim que a primeira gota chegava ao meio de sua face, ouviu o som da campainha tocar, correu e atendeu a porta, desmoronou assim que o zelador do condomínio pronunciou em um tom aflito e horrorizado.

- A Hellena...

Foram essas poucas palavras que gritavam em sua mente que lesse agora os cadernos de sua filha, e nem se preocupou em ouvir o resto da frase, deu um grito e correu para o quanto da filha, onde o vento revirava as paginas do caderno ainda incompleto, na ultima folha se estabelecia a tragédia, a frase mais cruel do que a do zelador.

" E no desejo de voar estendeu suas fracas asas e se foi. Pela eternidade as manteve abertas! Porem não saiu do chão."

Que se seguiu de lágrimas e na corrida desesperada da mãe até a janela, que do 19º andar, via o corpo de Hellena espalhado no chão.