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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Jardim

- Do que você se lembra?

- Eu me lembro que meu nome é Rosa, e de algumas coisas de quando era bem pequena. Menor do que sou hoje, já que não cresci muito.
Me lembro de uma árvore alta, folhas pequenas como eu, e que gostava de pensar que minha vida era um sonho. Você já pensou que um sonho fosse real?
Quando eu dormia e sonhava com algo, era como acordar de um sonho dentro de outro. A peça que minha cabeça gosta de me pregar.
Era como se dormisse só por um minuto. O cansaço funcionava também, toda vez que ia dormir, perdia sono procurando a saída daquela ilusão.
Eu gostava de pensar, que toda dor que sentia, era só uma dessas peças que minha cabeça gostava de me pregar. É muito mais fácil assim.
Meu avô dizia que meninas lindas como eu, eram flores antes de serem meninas. Dai veio o outono, secaram as flores, e o vento levou pra outro lugar. "Essa dor é recorrente da secura anterior..." Dizia ele. - E eu estou aqui agora.-
Não conheci nenhum dos meus avós, nem o materno nem o paterno. Todos morreram antes deu nascer, meus pais são ambos caçulas, eles mesmos não conviveram com muitos parentes da família. A minha avó materna era mãe solteira, acredito que nem ela conviveu muito com meu avô. O paterno teve um derrame um pouco antes do meu pai completar 12 anos. Ficou vivo por mas dois desde então, morreu umas semanas depois do 14º aniversário de meu pai. Definitivamente não o conheci, só pelas fotos.
Uns anos a traz, minha avó revelou que não tinha certeza de quem era o pai da minha mãe, ultima filha de 3, e que o homem da foto era só quem a ela achava que era. " Madalena, de qualquer jeito, seu pai esta morto, seja quem ele quem for. E fomos felizes mesmo assim, eu você e suas irmãs."
Minha mãe disse que foi muito feliz na infância, disse que também brincou em volta daquela árvore. Tivemos infâncias parecidas. Mas o fator determinante foram os detalhes, e que minha mente gosta de me pregar peças.
Malva, minha amiga de infância, dizia que eu confiava de mais nas pessoas, sinto falta daquela confiança. Acho que deveria confiar mais agora.
É o que me falta ultimamente.
Fui crescendo, e as coisas mudaram. Descobri a verdade e agora não confio tanto quanto confiava antes. Eu, como sou gente também, acabo que não confio muito em mim, já que minha mente sempre gostou de me pregar peças. Já os remédios, são a desconfiança que as outras pessoas tem em mim. Mas eu confio nas flores.
O sono vem vindo agora, até amanha minha florzinha, talvez eu lembre de mais coisas, quando acordar.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Erro?

Por horas se pensa como descrever uma coisa, muitas delas já são descritas, nesse caso não é necessário pensar, apenas se fala! Foi o que elas disseram, quando olharam e sussurraram :

- Eu amo...

Nisso eu que me assustei, recorri a minhas estruturas, imaginei como sempre imagino, desencadeei uma seção de desagrado. Em meus registros isso era impossível, pois se uma definição se procura e se encontra, no que consta em minha biblioteca, necessita-se de anos para constatar tal coisa.
Tal façanha seria impossível, mesmo ao mais romântico dos seres viventes, não existe amor sem definição, não se defini o que ela sente por amor, ao menos não em minha percepção, mais por indignação do que curiosidade, perguntei o que era o "amor?". Não puderam me responder, e o mais engraçado foi como disseram que não podiam " amor não se define, apenas sente...", eu perguntei a ela, a outra, a varias pessoas, "... como se sabe sentir o que não se tem definição? Como se diz sentir, se não sabe o que é?". Perguntas as quais existem varias respostas, e sim, já me certifiquei da maioria, dessas muitas duas perguntas surgiram. Duas opções na verdade, e assas sim mesmo com definição é difícil escolher.
- Sera que minha definição é falha, e não sei o que de fato é amor, ou o mundo esta errado?
Talvez eu só sinta inveja, pra elas tudo é tão facil.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Significados


Jenny sabia o valor de um sorriso, a única expressão que se via em seu rosto era essa, seu largo e sincero sorriso. Sorrindo as vezes até parecia inconveniente, arrogante, sorria após a bronca da mãe, a nota ruim, a quebra da promessa do pai. Seus parentes nunca levavam ela a velórios pois estava sempre sorrindo e tinham medo de que esse seu sorriso fosse visto com maus olhos! Mas por onde passava deixava alegria, quando via algum chorando, com seu sorriso enxugava as lágrimas de quem fosse! Semeava seu sorriso, atravessava fronteiras intransponíveis e permanecia sorrindo.
Num domingo choroso um dos primeiros dias do inverno, acordou cedo, arrumou a cama fez o café dos pais e foi pro banheiro, trancou a porta. Seus pais acordaram viram o café pronto na mesa, ficaram felizes e nessa felicidade nem deram por conta da filha, passa-se uma, duas, três horas... Hora do almoço, sua mãe contente lembrou que Jenny gosta de ajuda-la na cozinha, e a chama para isso.

- Jenny, querida vem me dar uma força.

Mas ninguém responde.
Depois de um tempo sua mãe desiste, começa o almoço sem ela.
Em seguida o pai entra.

- Quem esta no banheiro??
- Acho que é a Jenny!

Logo em seguida ele bate na porta, ninguém responde, bate outra vez, nada! Pega a chave mestra da casa, abre a porta e paralisa!
Imediatamente vendo a cara de horror de seu marido a mãe de Jenny vai até a porta do banheiro também mas esta não paralisa, desaba ao ver o corpo de sua filha Jenny ensanguentado e estirado no chão. Pulsos cortados, um corte profundo porem um sorriso no rosto, sincero até! Nos olhos se via uma lágrima, mas Jenny morreu feliz. Afinal ninguém nunca a viu chorar!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Detalhes.


Se encontraram em um dia qualquer, para ambos, ambos não apreciavam o dia. Totalmente diferentes em pequenos e discretos detalhes, esses mesmos detalhes que sozinhos podem ser totalmente insignificantes, mas juntos são essenciais para se determinar uma personalidade. Assim como eles seus detalhes eram únicos, mas nem sempre proveitosos, aqueles detalhes em excesso que chagam a ser irritantes.

No dia 20 e alguma coisa de um ano bissexto...

Ela vivia como se estivesse parada, esperando o sol se por vulgar até em sua respiração, ela adorava ser assim "vulgar" só por enganar e decepcionar, vivia como se sonhasse e tudo que fazia, fazia por achar que não passava de um sonho e que acordaria em breve, controlava sua vida como um, assim nas primeiras palavras ouvidas, já se decepcionava multidões evitando desperdício de tempo e até de palavras, deixava o tempo passar, desperdiçava o máximo possível, era só isso que fazia em sua vida, pois temia ter de fazer mais. Porem dentro desse imenso desperdício conseguia saber de uma vida por algumas frases apenas, poucas palavras bastavam para que ela pegasse no ar detalhes, aqueles que é preciso anos para reparar.
Ouvia os sonhos, os traumas, felicidades e angustias, em uma curta frase de vinte palavras, quase sempre interrompia as pessoas na palavra numero quinze por dispensar repetitivos e cansativos detalhes.
Ele, uma figura singular, um autentico megalomaníaco, tolo, apagava os vários livros que leu em um simples olhar inconveniente, sua essência era de uma criança mimada e mal educada como se uma opinião fosse um brinquedo velho que ele não brincava a anos, e quando alguém dizia o contrario de seu pensamento, fazia escândalos absurdos mesmo sem averiguar se essa opinião era certa ou errada, como se tivessem roubado seu brinquedo.
Era um homem também cheio de detalhes, fascinantes até se vistos em quantidade e ordem certa, mas como os detalhes gritavam mais do que seu conjunto, era quase que impossível vê-los como belos, pobre homem. Para a desventura dos dois, se encontraram de um jeito brusco e desagradável, ela indo para casa e ele apenas vagando pela mesma rua, no principio a vulgaridade daquela garota com um jeito misterioso sagas chamou a atenção dele que em seu "saber supremo" a analisou por completo e se enganou profundamente, pobre homem, a viu totalmente superficial e indefesa, precisando apenas de entendimento, uma pobre alma capas de grandes coisas mais em seu egoísmo mor sabia que a imagem que fazia dela nada mais era do que um desejo de ter uma coisa a se dedicar, então a "coitada" coisa que ela não tinha nada lhe pareceu a opção mais agradável. Ela no principio, percebendo as carências do rapas, até pensou em aproveitar do pobre, mas viu por sua conversa e excesso de informações que ele só lhe traria problemas, então depois de meia hora de conversa totalmente intelectual, digamos que chata e repetitiva, onde as palavras especificas escolhidas com cuidado só ajudavam e reforçavam explicitas intenções e expectativas do rapas. Decidiu por influencia da sua imensa percepção abrir seus olhos e poupa-lo de maiores demonstrações indignas de carência, começou a analisar os detalhes mais profundamente, não havia prestado muita atenção no começo, por isso teve que induzi-lo a repetir mais ainda o que já tinha falado, e tirou suas conclusões.
Realmente não havia nada de proveitoso, e acabou com aquela tortura de um jeito tão brusco quanto o começo dela, assim pode retornar a sua vida repetitiva e cheia de detalhes!